6 erros financeiros que estão a custar dinheiro à sua empresa (e como evitá-los)

Muitas empresas não encerram por falta de clientes, mas sim porque não sabem como gerir o dinheiro que têm para evitar problemas financeiros. Já parou para pensar em todos os erros financeiros que podem estar a afetar a sua empresa, sem se aperceber?

A má gestão financeira é, de facto, uma das principais causas de insucesso empresarial em Portugal. Aliás, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), menos de metade das empresas portuguesas sobrevive ao terceiro ano de atividade, o que revela a fragilidade da gestão empresarial.

A verdade é que a gestão financeira sofre, muitas vezes, penalizações por pequenos erros silenciosos, que se acumulam ao longo do tempo. Assim, pouco a pouco, este desgaste da saúde financeira das empresas compromete a viabilidade dos negócios, bem como a sua credibilidade.

Neste artigo, apresentaremos, então, os seis erros financeiros mais comuns, que podem já estar a afetar a sua empresa, e algumas dicas para os evitar.

1. Misturar contas pessoais e da empresa

Este é, provavelmente, um dos erros financeiros mais comuns entre os empresários em nome individual ou sócios de pequenas empresas.

Poderá parecer um lapso inofensivo, sobretudo quando a empresa está ainda em fase inicial. No entanto, com o passar do tempo, esta mistura das contas torna-se confusa e pouco transparente, criando uma névoa que dificulta o controlo de despesas empresariais.

Sem uma separação clara das contas, será, sem dúvida, mais difícil:

  • Controlar a tesouraria;
  • Analisar a rentabilidade do negócio;
  • Tomar decisões financeiras e estratégicas com base no saldo da empresa.

Além disso, importa também considerar as possíveis implicações legais e fiscais associadas à mistura de contas. A dedução de despesas não relacionadas com a atividade da empresa, por exemplo, surge entre os erros financeiros mais graves, pois pode resultar em coimas ou até auditorias por parte da Autoridade Tributária (AT).

Como evitar este erro na gestão financeira?

Nunca utilizar a conta bancária exclusiva da empresa. Aliás, a lei proíbe exatamente esta utilização indevida da conta da empresa. O Artigo 63.º-C da Lei Geral Tributária esclarece que as empresas devem ter pelo menos uma conta bancária “através da qual devem ser, exclusivamente, movimentados os pagamentos e recebimentos respeitantes à atividade empresarial desenvolvida.”

Além disso, se possível, utilize um software de gestão ou até uma simples folha de Excel para categorizar as despesas e controlar os movimentos. Sempre que necessário, recorra ao apoio da consultoria financeira para empresas.

2. Não controlar o fluxo de caixa com rigor

Muitas empresas olham com atenção apenas para o saldo bancário como indicador da sua saúde financeira. Contudo, apesar de gerarem receitas, poderão ficar sem liquidez para cumprir as suas obrigações, sendo este outro dos principais erros financeiros empresariais.

Aliás, este é, efetivamente, um dos erros mais comuns na gestão financeira e poderá mesmo conduzir a atrasos nos pagamentos de salários ou a fornecedores.

Como controlar o fluxo de caixa?

Utilizar projeções mensais revela-se uma estratégia simples (mas eficaz) para antecipar períodos críticos, como, por exemplo, prazos de pagamento de impostos.

Um controlo rigoroso do fluxo de caixa nas empresas permitirá, assim, agir atempadamente, protegendo a estabilidade do seu negócio.

3. Falta de um planeamento orçamental empresarial

Sabia que os empresários das micro e pequenas empresas portuguesas apresentam dos maiores níveis de literacia financeira entre os 14 países analisados pela OCDE? Ainda assim, apesar deste resultado positivo, muitas pequenas e médias empresas (PME) continuam a cometer erros financeiros, como não construir um plano orçamental anual.

Sem um orçamento, não é possível detetar desvios, antecipar necessidades de financiamento ou tomar decisões estratégicas de gestão informadas.

Como fazer um plano orçamental?

Uma das principais dicas para melhorar as finanças das empresas consiste, então, na criação de um orçamento anual realista, baseado no histórico e nas metas do seu negócio.

Não se esqueça, também, de incluir estimativas de receitas e despesas, pois só assim a sua empresa poderá preparar-se para imprevistos.

4. Subestimar os custos fixos e variáveis

Nem sempre é fácil ter noção de todos os custos suportados por uma empresa. Todavia, nunca deve desvalorizar as despesas recorrentes ou variáveis, mesmo as mais pequenas. Fazê-lo é também um dos maiores erros financeiros nas empresas.

Rendas, salários, subscrições de serviços e contas de utilities, por exemplo, constituem despesas que podem, facilmente, passar despercebidas. Contudo, acumulam custos significativos, ao longo do tempo, se não lhes prestar atenção.

Como controlar os custos da empresa?

As boas práticas de gestão financeira incluem uma análise detalhada da estrutura de custos da empresa. Em primeiro lugar, identifique e distinga os seus custos fixos dos variáveis.

Se colocar estes dados fundamentais num documento de fácil consulta, conseguirá atualizar a análise com frequência, o que é essencial, sobretudo em momentos de reestruturação.

5. Ignorar indicadores financeiros cruciais

Há empresas que tomam decisões de gestão apenas com base no saldo da conta ou nas vendas do mês. No entanto, isolados, estes dados dizem pouco sobre a saúde do negócio.

Aliás, muitos esquecem, frequentemente, alguns indicadores financeiros chave, sendo este um dos erros financeiros que impedirá qualquer gestor de perceber se a empresa está realmente a crescer de forma rentável e sustentável.

Portanto, múltiplos negócios deparam-se com dificuldades, não por falta de atividade, mas por falta de uma análise contínua e rigorosa.

Que indicadores essenciais deverá analisar?

Entre os indicadores mais importantes para avaliar a saúde financeira de uma empresa, destacam-se, então:

  • Return on investment (ROI);
  • Resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA);
  • Margem de lucro;
  • Breakeven;
  • Nível de endividamento;
  • Variação do cash flow.

6. Não pedir ajuda a tempo

Muitas vezes, a gestão financeira das PME recai sobre o gerente, que, entre tarefas operacionais e decisões estratégicas, tende a não pedir ajuda.

Só quando os problemas financeiros (como, por exemplo, atrasos nos pagamentos, falta de liquidez e dificuldade em cumprir obrigações com bancos) se tornam visíveis e urgentes, há alguma proatividade na procura de apoio especializado para lidar com estes erros comuns na gestão de empresas.

Contudo, lembre-se: corrigir erros financeiros é sempre muito mais difícil (e mais caro) do que preveni-los atempadamente.

O que fazer para evitar mais erros financeiros?

Não espere por uma crise para procurar o apoio de especialistas. Um consultor financeiro vai ajudá-lo a identificar riscos, melhorar processos e planear adequadamente, com base em dados rigorosos.

Mesmo em negócios pequenos, o retorno deste acompanhamento revela-se, muitas vezes, imediato.

Está a cometer erros financeiros na sua empresa? Descubra os 6 mais comuns e como pode evitá-los com práticas simples e eficazes.

Nenhuma empresa está imune a falhas. Contudo, há uma grande diferença entre cometer erros financeiros pontuais e deixar que estes se tornem recorrentes.

Os erros financeiros mais comuns não surgem de más intenções, mas da falta de tempo e de apoio. Na VALORA to Win ajudamos as empresas a identificarem e a corrigirem erros antes que estes se tornem problemas estruturais.

Fale connosco, para perceber como evitar erros financeiros na sua empresa, e faça o seu negócio crescer com sustentabilidade.

Partilhe a sua opinião
Blog

Mais artigos relacionados

Layoff: significado e como gerir este processo na sua empresa

Novos limites das PME: oportunidade ou risco para a gestão financeira?

O que é a proposta única de venda (unique selling proposition)?